Guilherme Oliveira
Brasil
lMinha adoração por fotografia é antiga, desde os primeiros anos de escola já havia me decidido, mesmo não sendo pela arte em si. Quadrinhos, revistas, filmes, tudo me encantava.
Assim como em muitas famílias, a internet chegou tarde, mas quando chegou foi o ponto fundamental para o início da minha trajetória. Os bancos de imagens eram meu vício nos finais de semana.
Começou pela “webcam”, correu para a primeira câmera analógica, passou para o primeiro celular, e enfim, a primeira câmera digital. A partir dela o mundo fotográfico se expandiu ferozmente. Houve aí a necessidade da manipulação fotográfica. Um mundo novo junto ao já existente mundo da fotografia. Com o tempo, os dois passaram a ser um só.
Fotografar pessoas me encantava de uma maneira inexplicável. Deveria ser pela ótima sensação que seus elogios me proporcionavam. Claro que as ofensas sempre apareciam, pois ninguém gosta de ser perseguido incessantemente por uma câmera. Mas quando toda a perseguição se mostrava em um visor, as ofensas eram substituídas por elogios, que, para mim, era o mesmo que ganhar na loteria.
A parte financeira era o meu pesadelo nas pesquisas na Internet. Ter uma máquina mais eficiente foi o meu desejo por vários meses. Na minha percepção, uma câmera boa era a solução para os meus sonhos e para os meus problemas. Mal sabia eu que com o tempo precisaria investir tanto para ter um bom equipamento e logo após conquistá-lo, ter que investir mais ainda para poder trocá-lo por um melhor.
Como as responsabilidades chegam para todos em certo ponto da vida, tive que trocar o meu mundo da fotografia para novamente habitar o mundo real. Trabalho e futuro foram as principais preocupações durante alguns longos anos. Trabalhar para alguém, para mim, era o mesmo que apertar o “pause” e retornar com o “play” vários anos depois e acordar no mesmo lugar. A sensação de tempo perdido e a sensação de regresso me afligia. Não necessariamente um regresso, mas um progresso lento, mas muito lento mesmo.
Com muito tempo de trabalho e foco em algo, é claro que se consegue alcançar seus objetivos. Mas quando esse trajeto acaba agregando pontos negativos tanto para o âmbito pessoal quanto profissional, já é hora de se pensar se isso realmente vale a pena. Comigo não foi diferente. Deixei o trabalho de lado.
Com muito tempo livre, resolvi ser dono do meu nariz e trabalhar por conta própria. Inúmeros planos foram traçados, mas nenhum