Abner Debiasi

Durante minha infância, fui policial, astronauta, explorador, motorista – acreditem, sabia até pilotar aviões. Viajava o mundo todo, sem dar um único passo; falava todos os idiomas e inventei mais dois ou três, os quais só eu entendia. Desenhei o planeta como eu o via, plantei feijão, durante os meses de junho trabalhava no esquadrão anti-bombas e arriscava passos de caipira. Nas primeiras festas, era doido para ver entre os dedos e escolher a menina que realmente queria beijar e foram várias.

Aos 14 anos, descobri que meus heróis não possuíam super-poderes ou utilizavam armas de fogo, suas armas era guitarras e seus poderes a música. Aqueles quatro mascarados me fizeram sonhar; os teclados daquela banda inglesa de caras que poderiam ser meus avôs soavam completamente novos e estranhos aos meus ouvidos. Depois vieram saladas de nomes, como: portas, zepelim de chumbo, "o quem" e até um ex-paraquedista americano.

Ouvi que na vida só aprendíamos com os erros, então decidi errar muito e aprendi. Mas no próximo segundo, notei que existiam várias coisas novas. Neste instante, percebi que era melhor aprender estudando e, alguma vezes, arriscando.