Bernardo Giehl

Nasci na pampa azulada e da minha terra eu sou peão,
estampa de índio campeiro que foi criado em galpão,
gosto do cheiro do campo e do sabor do chimarrão,
e de dobrar boi brabo a pealo nos dias de marcação.

Gosto de fazer um potro se cortar na minha chilena,
pra sentir o sopro do vento esparramando a melena,
pra sentir o sopro do vento esparramando a melena.

Meu sistema de gaúcho é mais ou menos assim,
uso um tirador de pardo arrastando no capim,
uso uma bombacha larga com feitio do melhor pano,
e um trinta ao correr da perna com palmo e meio de cano.

Crinudo que sacode arreio engancho só na paleta,
pois as esporas que eu uso tem veneno na roseta,
tenho um preparo de doma trançado com perfeição,
pra fazer qualquer ventena saber que é este peão.

O dia em que eu não puder agüentar mais o repuxo,
talvez o rio grande diga lá se foi mais um gaúcho,
mas enquanto eu tiver força laço domo e tranço ferro,
e na invernada do mundo mais um rodeio eu encerro.