Dḁ̷̿͏nieĺle Bulo҉͖an
London, United Kingdom
Sinceramente, aproveitando um breve momento de parca lucidez, admito: estamos todos fudidos. Se não por doença, velhice, DST, solidão ou loucura, morreremos, certo, ok. Já praticamente aceitamos o fato, apesar da Ciência e toda sua parafernália. Mas, temos nossos descendentes, os quais, apostamos todas as fichas, e acreditamos, com todas as forças, que cada pirralho que vemos brincar na praçinha é a semente do amanhã. Investimos milhões nisso, sempre apostando alto no futuro. Futuro. Algo totalmente incerto e fora de controle. Deve ser por isso que a maioria nem pára pra pensar. E como diz aquela máxima, a voz do povo é a voz de Deus. Enfim, o senso comum, tão esculachado pela Filosofia, começa a fazer realmente algum sentido. Ficamos nos descendentes, nossa última esperança. Então, começamos a descobrir, que não é apenas nós que morremos. O Sol, vejam vocês, o Astro-Rei, também morre. Antes, claro, ele dilata-se e vai acabar com a última gota de água do nosso Oceano. Sim, isso demorará milhões de anos, e talvez, se tivermos sorte, não teremos acabado com o planeta antes. Ou, tomara, nenhum meteoro esteja em rota de colisão com a Terra. Até lá, imaginamos um planeta como dos Jetsons, com cidades flutuantes, carros voadores e poltronas com 1001 utilidades. E óbvio, os cientistas, esses malditos, já terão descoberto outro planeta habitável para a nossa espécie. Daí é só ir transportando os escolhidos (apocalíptico isso, não?) e o resto, bom, o resto é resto. Porém, como tudo tem fim, os coitados não terão sossego e assim como Sísifo, procurarão por planetas habitáveis ad aeternum. Até que um dia, há vigesilhões de anos, por fim, viraremos novamente apenas poeira cósmica, esperando por um fabuloso Big Bang.