Débora Ferreira

Rio de Janeiro - RJ

A pedido da minha alma. De um bichinho de unhas grandes que vaga por minhas entranhas de uma forma que, por mais que eu tente, não consigo manter-me indiferente. Ele quer voltar a sair. Sente saudade dos pares de olhos que encontrou durante anos, dentro de quartos tão ou mais escuros do que esse que me acolhe. Quer ir pra rua, de novo, o ornitorrinco.

A pedido das palavras que, presas entre os dentes e a língua, são privadas da reverberação pelo ar. Atendendo ao clamor dos pensamentos que, cansados de ricochetear no pequeno vestíbulo ao qual mantenho-os confinados, ora por medo, ora por preguiça, ou então sem motivo aparente, aqui escrevo.

Obedecendo a ordem que meu coração me deu de voltar a escrever sem métrica, tempo ou medida, sem melodia, sem ritmo nem rima, aqui e agora, eu volto a borrifar ao vento os sentimentos que não consigo cantar.

Atendendo a pedidos, cá estou. Volte sempre.