Filipe Aguiar R.

São Paulo

Lembrança Amarela

Perdido, sem nada a falar, apenas aproveitava do silencio como justificativa. Nada para sonhar, nada para querer, nada para amar, apenas continuava vivendo algo que nem ao menos sabia o que era, nem queria saber, era tarde demais para qualquer coisa. A noite chegava e ele continuava estático olhando para fora, por vezes sorriu, apenas sorriu.

Olhou para o relógio e percebeu que logo deveria ir, pegou mais um copo de whisky e acendeu mais um cigarro, o último aliás, talvez fosse realmente o último. Lá fora chovia forte. A janela encharcada ofuscava tudo lá fora, ele olhava como se aquela janela fosse um espelho da sua alma, tão real!

Sorriu mais uma vez, olhou um porta retrato velho já amarelado e escuro, o tempo realmente judiava das lembranças, matou o whisky, fez uma careta, tragou o cigarro e tossiu como já era de costume, cuspiu no chão e se foi, não tinha mais nada para fazer, apenas deixou a porta aberta e se foi.

A chuva agora tinha parado, anoitecia e o vento que vinha da porta aberta derrubara o velho porta retrato amarelado.

Filipe Aguiar R.

  • Education
    • Engenharia - FEI