Helena Silva

Quando era mais pequena, era uma comunicadora nata. A Helena criança era a alegria da vizinhança. Eu era aquela que alegrava todos com as piadolas, com traquinices e com o jeito descontraído que sempre me caracterizou. Se havia uma festinha, eu estava lá! Se havia brincadeira, eu estava lá! E adorava! Adorava interagir, jogar, ser criança. E fui uma muito feliz!
Sempre gostei muito de falar, era uma tagarela e a primeira vez que peguei num microfone, foi numa festa de S. João lá do bairro. Devia ter uns 3 / 4 anos, mas lembro-me como se fosse hoje. Resolvi surripiar o micro e cantar “passarinhos a bailar, quando acabam de nascer, com o rabinho a dar a dar piu piu piu piu”… Foi a risota, e eu que, hoje em dia, detesto ser o centro das atenções, adorei as palmas que me bateram. O segundo contacto com o microfone foi numa viagem, daquelas típicas que se fazem de camioneta, para aqui e para acolá, em que eu, na viagem já de regresso a casa, vou disparada para o micro, e desato a animar as pessoas. Não me lembro bem o que fiz nem o que disse, mas sei que fui um sucesso porque, até hoje, os meus pais falam dessa “performance”.
Vem a adolescência e as coisas mudam. Nós mudamos, o nosso corpo e a nossa consciência também. Essa minha época foi calma, com as devidas histórias que toda a adolescência engloba, claro, mas, como é óbvio, eu já não era aquela menina que roubava o microfone nas festinhas de S. João. Era mais recatada, mais envergonhada.
Então, como é que uma pessoa que se transforma assim, sendo mais “escondida”, não querendo que a notem, se vai meter nestas coisas da rádio? Foi totalmente por acaso! Estava no último ano do liceu e a ordem era para que nos mexêssemos e arranjássemos estágios nos meios de comunicação da cidade.Embarcando na aventura com outra amiga, lá viemos parar a um estágio na Rádio Fundação. Durou, mais ou menos, seis meses, mas foi ao primeiro contacto, no primeiro dia, que soube que era aquilo que queria.
O blog. O blog é uma parte da minha vida que já devia ter surgido há mais tempo. Realmente, não sei porque é que demorei 33 anos a criá-lo mas… mais vale tarde do que nunca. Em pequena, sempre fui daquelas meninas de ter diário e de registar as minhas coisinhas. Por isso, porque não criar um diário virtual, agora em adulta, que é bem mais giro? Pronto, se pensei, mais rápido concretizei. É o meu cantinho, onde partilho o que gosto, o que faço, o que ouço, o que sinto. Sintam-se bem-vindos! :)