Joyce

Figura Ficcional in Rio de Janeiro, RJ, Brasil

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Negra. Pele de pêssego. Olhos grandes e amendoados, olhos que não perdem eixo nem direção, vidrados.

Joyce é predadora nata. Nunca saiu de casa para perder. Guerreira, sempre correu atrás do seu sonho de desfilar por passarelas mundo afora. Passou por cima de muita gente para conquistar seus objetivos. O mesmo olhar que atrai lentes fotográficas já abateu inúmeras presas sem dó nem piedade.

Joyce explicou em entrevista recente para a TV5 francesa que continua em busca do amor, e quanto mais pessoas namorar, diz ela, maiores as chances de conhecer a pessoa ideal.

Mas por baixo desse discurso ela escondia uma desilusão grave: um amor de juventude, que nunca tinha esquecido e sonhava com um reencontro.

Joyce tinha problemas com comida. Certo dia, foi almoçar em um novo restaurante, que tinha sido elogiado no jornal, mas recusou o prato especial do chefe. Disse que preferia sopa, daquelas de saquinho.

Foi quando se deu o reencontro inusitado: seu amor da juventude era o chefe do restaurante. Rodolfo ficou diante dela por alguns instantes, constrangido. Não a reconheceu, sua vulgaridade alimentar era assombrosa. Ali mesmo perdeu todo interesse que nela poderia ter.

Joyce estava perplexa. Perdeu o ar, gaguejou, era muita emoção. Seu olhos perderam imediatamente o foco.

Começou a negar trabalhos, suspeita-se que ficou meses em casa, fechada para o mundo. Os mais íntimos relatam que sua fisionomia está irreconhecível e que adquiriu uma gagueira permanente.

O que não sabem é que Joyce tem frequentado diferentes restaurantes, usufruindo do dinheiro que ganhou como modelo, a fim de desenvolver um paladar requintado. Aromas e texturas que antes não percebia, agora tem valor. Mas em cada restaurante que vai, relembra o amor que a julgou e que se foi.