Kenny Frazão

Amazônia

Mas como em Porto Velho
Tem artista pra dedé,
Vô imitá o poeta veio
Patativa do Assaré.

Minha vida vô contá
Nessa tira de cordel,
Desde quando era pequena
E brincava de carrocel.

Fui pro sul de Mato Grosso
Com minha mãe e as manas
Com cinco anos de idade
Fui morar em Aquidauana.

É uma cidade bonita
De estilo pantaneiro
Fica perto de Bonito
Do Pantanal brasileiro.

Em Aquidauana, cultura
tá no sangue, tá na veia,
é a cidade do grande
dramaturgo Rubens Correa

Lá estudei e brinquei
Fui crescendo com a moçada,
Namorei e inté casei
Depois que tava formada.

Mas a querida infância
Eu guardo no coração,
O meu tempo de criança
Num esqueço dele não.

De Aquidauana/Anastácio
Duas cidades numa só
Eu tenho muita lembrança
Dos amigos e da vovó.

Comi muito milho verde
Nas festas de São João
Dancei polca e quadrilha,
Li estória de assombração.

Até o bumba meu boi
O meu tio levou pra lá,
Foi invasão e não foi
À cultura do lugar...

Mas eu já me fascinava
Com a cultura popular
Dizia versos nas festas
E me metia a cantar...

Nas festas que minha mãe
Animava eu estava lá:
ela palhaço, eu palhaça,
Era uma dupla a brincar.

Cheguei até declamar
Da Cecília Meireles
‘Borboletas’ a voar
E agradei a galera.

Lembro que me meti
Num desfile infantil
Fui aplaudida e até saí
No jornal do meu tio.

Lá na festa do peão
Que se chama boiadeiro
Desfilei com emoção
E fiquei no lugar primeiro.

Como parte da cultura
Da terra do jacaré
Aprendi uma doçura
Que é roda de tereré.

A gente põe numa cuia
Mate verde e um canudo
E vai pondo água gelada
E de mão em mão toma tudo.

A gente brincava livre
Vendo a boiada passá,
Não tinha nenhum perigo,
Violência não tava lá.

De tudo isso me lembro
E guardo no coração
Dos bichos e até do cheiro
Da poeira verde do chão.

Deixei lá no pantanal
Uma saudade bacana
No coração do pessoal
E no rio Aquidauana.

E ao voltar pra Porto Velho
Reencontrei o rio Madeira
Com mil h

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