Luana Bentin Roatt
Ela anda de um jeito desengonçado, um jeito sem jeito. Faz tudo que tenha começo, meio e fim inesperados. Anda meio insana. Mudou. Ficou meio assim, só, sal, sol. Chamam ela de amarga, de salgada. O que ninguém sabe -ela não deixa transparecer- é que sabia ser doce, mas a validade venceu. Tipo boneca a pilha, mas a pilha já acabou. Ela sabe inovar, mas quer "ivelhar". Ela sabe se virar, mas quer ficar parada. Ela sabe correr, mas prefere caminhar. Sedentarismo, ironia, sarcasmo, insanidade. Não quer chamar a atenção, diz que ela é surda. Igual, convencional... Isso faz-lhe mal. Ela é do tipo que gosta do incomum, às vezes até da dor. Não é questão de ódio, nem de amor. Ela somente mudou, e sente-se bem assim. Diz que o "eu" não vive sem "mim".