Luisa
Figura Ficcional in Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Luisa tem 28 anos, nasceu no interior de Minas Gerais. Veio de uma família humilde, sua mãe é dona de casa e seu pai comerciante. Luisa tem um irmão mais velho, Matheus, por quem sempre teve muito carinho.
Cresceu em um ambiente controlador, uma família patriarcal, seu pai sempre falou sobre o quão submissa ela deveria ser. Ouviu muito sobre o verdadeiro papel da mulher. E viveu essa submissão, não só na relação com o pai, mas também em seus relacionamentos.
Luisa atualmente é escritora, escreve muito sobre a mulher na sociedade machista brasileira. No natal do ano passado, enviou um vibrador para sua mãe de presente, junto com um cartão: liberte-se!
Luisa morava sozinha em São Paulo. Há menos de um ano, porém, seu irmão, Matheus, veio do interior para morar com ela. Desempregado, queria tentar a vida na cidade grande, mas trouxe consigo um vício que por muito tempo o atormentava: a cocaína.
Há dois meses, Luisa chegou do trabalho tarde da noite, e o encontrou desacordado no chão da sala. Levou-o para o hospital, e até hoje lá está ele, submetido a um coma induzido. Seus pais tiveram que vir de Minas para São Paulo. Eles a culpam pelo acontecido ao irmão, falam que ela o influenciou. No fundo, ela também acredita nisso. Parou de escrever e um peso imenso parece que paralisou sua vida. Será que tudo que ensinou ao irmão, todos os textos deu para ele ler, todos os conselhos, o encaminharam para essa tragédia?
Seus pais ainda estão morando na sua casa, seu irmão ainda está em coma. Sente-se um pouco como na infância, sente ainda muita culpa e sente a presença tóxica do pai novamente. Mas voltou a escrever um pouco, trancada em seu quarto, e duas vezes por semana sai sozinha para beber e afogar as mágoas.
Numa dessas saídas, Luisa passou do ponto, se embriagou. Acabou passando mal, e sem perceber entrou no banheiro masculino para vomitar. Dormiu em cima do vaso, mas acordou com a voz de um homem em seu ouvido: -tá tudo bem! eu vou te levar pra casa. Nessa noite Luisa conheceu Luis, que tinham muito mais em comum com Luisa do que apenas um nome.
No caminho de casa os dois trocaram suas histórias. Luis sofre até hoje com a criação tóxica que sofreu na infância por ser um menino sensível.