Moacir Gomes

Artist and Designer in Rio de Janeiro

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Comecei a desenhar ainda criança. Ao contrário da grande maioria, não foi uma atividade passageira. Me lembro de ter um caderno sem pautas onde eu reproduzi o mesmo contorno de rosto, pescoço e ombros em todas as páginas. Depois eu “preenchia” o desenho variando olhos, narizes, bocas e cabelos. Ficavam todos bem parecidos.

Minhas primeiras referências de desenho foram as revistas em quadrinhos e o Batman era meu ideal artístico. Porém, minha confiança era baixa e eu não insistia na prática pois achava que não tinha o dom.

Embora sem muito incentivo, cheguei à faculdade de Desenho Industrial, após alguns anos na Geografia (obviamente o que eu gostava era de desenhar os mapas). Na faculdade eu tive aulas de desenho com todas as técnicas e ferramentas possíveis. Foram anos de descobertas maravilhosas e minha confiança cresceu um bocado.

Mas a carreira profissional já havia começado antes que eu me formasse. Eu dava aulas de inglês e, após a gradução como Designer, segui uma longa e frutífera carreira no ramo de franquias e, especialmente, no ensino de idiomas. O desenho ficou de lado. Virei professor, treinador, gestor. Percebi que minha missão na vida era ajudar as pessoas a se comunicarem melhor, por meio do ensino de idiomas. Amei minha carreira e sou grato por tudo o que vivi, pelas pessoas que conheci e pelas experiências e aprendizados que tive.

Ainda, alguma coisa estava em falta. E somente quando me vi preso em casa, no início da pandemia de 2020, desempregado e em confinamento, que eu recomecei a desenhar com afinco e coragem. Sim, coragem é sempre necessária quando a gente resolve se expor.

Hoje eu me vejo como um retratista, como aqueles fotógrafos de rua - os famosos “lambe-lambe” - que ficavam nas praças públicas tirando retratos 3x4. Voltei a desenhar rostos como eu fazia quando criança. Melhorei a técnica e utilizo ferramentas mais apropriadas. A tecnologia é minha aliada para captar detalhes que fazem toda a diferença no resultado final.

Minha missão ainda está relacionada à comunicação, mas agora não é mais algo verbal, e sim essencialmente visual. Quero que as pessoas se vejam como eu as vejo. Que enxerguem seu lado mais bonito, mais harmônico e leve, mesmo tendo rostos assimétricos e fora dos “padrões de beleza”. Cada traço e cada curva de nossos rostos nos definem e comunicam nossas sensações, sentimentos e desejos. Basta observar. E é isso o que eu sou, um desenhista observador que deseja que você reconheça em si mesmo todo o seu potencial.