Nícolas Guedes

Oi, é assim que se começa uma biografia? É que eu nunca me dei bem com começos - talvez por que receie os fins, sem começos sem finais, simples assim. Uma coisa boba sobre mim: gosto de observar o mundo através de fones de ouvido, porque tudo parece mais interessante com uma boa musica de fundo. Tenho vários projetos interropidos, e algumas lacunas na minha vida. Sou fascinado por esportes que envolvam quedas de lugares que entorpecem a visão, porque a queda faz com que eu me sinta vivo. Como saltar de para quedas ou pular de bunguee jumping, saltar sabendo que qualquer coisa mal cauculada pode acabar com a nossa vida. Às vezes eu penso que o amanhã pode não chegar, mas isso não basta para me fazer viver mais, ou ao menos como eu gostaria. Sabe aquelas loucuras de filmes e de historias contadas pelos nossos pais de como no tempo deles as coisas eram diferentes e eles se divertiam mais? Talvez me falte amigos, daqueles de verdade. Já se sentiu perdido em um lugar e não soubesse o que estava fazendo, nem se era o que deveria fazer? Pois é. Tenho vergonha de ser autêntico ou sincero como deveria ser, as pessoas estão tão habituadas com o padrão que não sabem diferenciar mais. Mas uma coisa que observei a maioria se sente perdido ou sozinho - talvez todos - mas ninguém admite. Somos cegos tateando o nada a procurado de algo que preencha o vazio que nos assola por dentro.

"Eles não olham para mim, eles ficam lá naquela segurança armada de família que não admite nada nem ninguém capaz de perturbar o seu sossego falso, e não me olham, não me veem, não me sabem. Me diluem, me invisibilizam, me limitam àquele limite insuportável do que eles escolheram suportar, e eu não suporto - você me entende?"

- Caio F. Abreu - O rapaz mais triste do mundo (Os dragões não conhecem o paraíso).