Brasílio Souza
Um Blog. O diário da vida moderna. Enquanto o tal bug que vai jogar a humanidade nas trevas digitais não chega, vou colocando os meus pensamentos aqui. Uma forma muito melhor de evitar o Alzheimer do que fazer palavras cruzadas, jogar xadrez na praça apertando aquelas maquininhas que parecem relógios e, melhor ainda, uma maneira excelente de usar o computador. Melhor até do que a famigerada paciência.
Paciência. Isso é o que eu espero de quem vai ler esse blog, começando pela demora em me apresentar. Meu nome é Brasílio de Souza. Sou brasileiro, carioca, acima do peso e beberrão. A idéia de escrever veio de uma combinação explosiva, a mistura de alguma cultura com aquele momento que Policarpo Quaresma viveu no final do livro sempre atual do Grande Lima Barreto. Este momento proporciona a percepção real e definitiva que o Brasil não é fácil e que as coisas poderiam ser melhores se algumas escolhas tivessem sido feitas. Ao invés disso, acumulamos mancadas sem fim em nome de propósitos que não trouxeram benefícios concretos para quase ninguém, somente a conta caríssima para a maioria que vive uma carestia desgraçada.
Exemplos não faltam, infelizmente. Para facilitar as coisas, até porque isso daqui é uma apresentação, e não o primeiro post do meu belíssimo blog, vou direto ao mais emblemático deles: A gloriosa Petrobrás. Grande orgulho de todo brasileiro e fruto do esforço de diversos semideuses nacionais desde Monteiro Lobato até Getulio Vargas, dos governos mais nacionalistas e capazes, a empresa desbravadora dos oceanos mais profundos, pioneira nos mais diversos aspectos, entre outros diversos pontos positivos. É, de fato, inegável que a empresa construiu um legado fortíssimo, capaz de mexer com o fetiche de todo brasileiro minimamente patriota. Se parasse por aí estaria ótimo, mas o buraco é bem, bem mais lá embaixo.
O problema, meus caros, é “somente” um. Em boa caixa alta: EXCESSO DE ESTADO. De um Estado podre que não serve para nada. Problema esse que afeta todo e qualquer aspecto das nossas vidas. Mas te pergunto. Para que? O governo te devora e não te dá nada em troca. Seu plano de saúde só aumenta e cada vez mais faz menos, as forças armadas estão sucateadas, não existe segurança, educação. Nada. Se pelo menos estivéssemos em alguma monarquia escandinava até daria para entender mas, infelizmente, estamos muito, mas muito longe desta realidade. Enquanto isso, toda e qualquer iniciativa que preste e que não venha de cérebros do governo é podada, nem sai do papel, por conta de uma burocracia nefasta, sustentada por todos nós e que conta com direitos inexistentes em qualquer emprego e que trabalha sob condições que transformam o seu dia-a-dia em uma sucursal do inferno. Hoje está pior, mas isso sempre foi uma grande verdade. Não é possível inovar no Brasil. Nem tente. No momento que começar a dar certo vai surgir algum burocrata disposto a inventar moda e regular o seu sucesso. E o pior, já estamos acostumados com isso. O sonho de quatro em cada cinco brasileiros é trabalhar para o Estado. As empresas só exportam e inovam com o empurrãozinho do governo, a pouca pesquisa é quase toda controlada por alguma instituição bancada pelo governo. A produção cultural só flui com o apoio de inúmeras estatais, tornando sacal a abertura de qualquer filme nacional com aquelas milhares do logomarcas. Voltando ao exemplo lá de cima: O petróleo é seu mas a gasolina é cara. Em nome de quê? Quem ganha? Uma empresa deveria dar lucro. A Petrobrás serve para tudo, menos isso. A conta no final vai sempre para você. Ainda que as metas e as falhas não sejam suas. Nesse momento o petróleo é mais nosso do que nunca!
Espero discutir, sem pretensão nenhuma, algumas causas e efeitos disso tudo. Se você espera rebuscamento excessivo, continue procurando. Uso o que eu estudei mas vejo um blog como algo mais casual. Deixo as palavras mais difíceis para a nossa gloriosa academia. Acredito piamente que a resposta aos nossos dilemas virá de um conjunto de fatores, fruto do que o Brasil é, desde a conversa dentro do metrô sobre política até a defesa de tese da USP. Mais que tudo, quero sim discutir o que o Brasil deveria ser, mas quero que a minha discussão seja a mais inclusiva e realista possível. Erramos isso no passado, onde somente a “elite” vinha para o diálogo. Depois, por um curto período de tempo, praticamente criminalizamos a elite e trouxemos os “oprimidos” para a discussão. Um não vive sem o outro. Realismo é crucial também. Agora, espero, trinta anos depois da redemocratização, que tenha chegado finalmente o momento de corrigir. Tudo conta. Que este blog seja um microscópico grão de areia deste diálogo. Vamos lá. Até breve.