Paloma Mrn

Gosto de azul-índigo e de vermelho-jambo. Ainda sinto cheiro de maresia sempre que faz sol, mesmo morando em São Paulo há mais de um ano. Adoro cantar, mas canto contra as músicas. Não deixo chinelos virados e bato três vezes na madeira quando alguém diz algo ruim. Adoro gatos pretos. Sou duas vezes ariana. Margaridas me comovem, mas não são as minhas flores prediletas. Acho martini, caqui e sintaxe palavras lindas. Memorizei meu poema preferido, caso ocorra uma catástrofe. Passei três anos sem telefone celular e isso foi recentemente. Sou ótima fisionomista. Os sons de zabumbas, cuícas e afoxés ressoam forte no meu peito. Adoro azulejos, pimenteiras e tranças. Desejo um mundo menos opressor. Admiro quem faz o que ama. Admiro também quem faz o que é preciso fazer. Não gosto de doces árabes, mas amo chá de hortelã. Dançar me faz perder a noção do tempo. Tenho as sobrancelhas do meu pai, os olhos da minha mãe e os provérbios da minha avó. Sou capaz de chorar de afeto por alguém com quem nunca falei. Não vivo sem escrever. Já experimentei redigir de quase tudo um pouco - bulas para remédios imaginários, poemas, contos, cartas de amor e de ódio, bilhetes de adeus, anúncios, biografias e autobiografias, incluindo esta.